quinta-feira, 30 de julho de 2009
humor matinal
quinta-feira, 2 de abril de 2009
longe-perto
não quero ir para o mar, não quero ir para o alto, não quero ir para buenos aires. não tenho paciência, não gosto de nada. gosto da glenn close, mas não vendem passagem para lá.
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quarta-feira, 25 de março de 2009
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
sugestão
querendo saber de mim, pergunte a quem nunca me viu.
aqueles que me conhecem já foram despistados.
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sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
dancing queen
"se eu fosse na vida o que sou no palco, já estaria morta"
(maria bethânia)
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olha, esta noite sonhei que minha mãe era a maria bethânia. quero dizer, minha mãe, sandra lúcia, tchutchucona, loiraça belzebu, viúva mais ardorosa da loja gang, quando pisava no palco se metamorfoseava em maria bethânia.
aí eu dizia: poxa, mãe, a arte é mesmo transformadora! você vira outra pessoa quando está em cena. a platéia tava toda nas suas mãos, em delírio coletivo!
e ela respondia: carol, esse é só o meu trabalho. eu gosto mesmo é de disco music.
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sabedoria de mãe.
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terça-feira, 18 de novembro de 2008
nana me engana
das mentiras da mpb:
"se um dia você for embora
não pense em mim
que eu não te quero meu
eu te quero seu..."
[meu menino . danilo caymmi e ana terra]
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das verdades da mpb:
"...com tempo ruim
todo mundo também dá bom dia"
[palavras . gonzaguinha]
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sexta-feira, 13 de junho de 2008
para eles

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só tem noção de distância quem entende da geometria de partilhar intimamente os momentos bons e os momentos difíceis. eu moro sob o mesmo teto de duas pessoas que vivem muito perto de mim.
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carta que eu deixei na porta da geladeira hoje:
caros amigos de fé, irmãos camaradas,
esta tarde, logo após acordar de minha inexorável terceira visita ao hospital, estive em frente ao vosso refrigerador e vi-me obrigada a furtar alguns de vossos artigos de gênero alimentício (al-alimentos). foram várias bolas de nhoque, quatro ou cinco pacotinhos recheados, um resto de molho de tomate, os últimos goles de um fortúito del valle encontrado na porta do eletrodoméstico (cuja embalagem, neste momento, jaz na superfície de nossa lixeira) e, por fim, desirmanei uma fina fatia de mozzarela de sua ainda mais franzina acompanhante, deixada ardilosamete para trás.
peço imensas desculpas e insisto que o pequê-Li se utilize da minguada quantia monetária oferecida ontem, por mim, para cobrir estes indelicados desfalques. sei que o abalo psicológico provocado por estas atitudes é bem mais dispendioso de ser coberto, porém, para tanto, podeis contar com todo o amor e respeito de vossa entrevada companheira de estrada e de vida.
com atencioso carinho,
da carulina
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eu sei que andei espalhando amor por aí. e tenho certeza que estou recebendo muito mais do que esperava agora. obrigada.
em 12.01.2007
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para elas

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há quem não entenda meu gosto por mulheres mais velhas, acontece que eu só acredito nelas.
e só a elas consigo proteger do mundo mau com as minhas gracinhas.
faço isso me aproveitando inescrupulosamente dos seus olhares embotados de fascínio, enganados pela minha habilidade na representação de inocência.
desta forma, planejo, certeira e artificiosa, cada gesto encantador para retribuir, agradecida, o conforto do qual elas se despojaram para abraçar a dor de amar uma pessoa nova.
especializei-me em criancices para distraí-las e, no meio da confusão, ir renovando, advertidamente, o pacto familiar que faz da dor de cada uma delas a minha própria dor.
até o fim dos nossos dias juntas.
das nossas fotos juntas.
da nossa história antepassada e futura.
juntas.
e, servindo-me de ludibriosa perfeição, calculada imperfeição e incontestável devoção, despedirei-me das mulheres de minha vida, uma a uma, arrumando-lhes as flores e esperando ter-lhes trazido alguma alegria.
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sábado, 3 de maio de 2008
quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
ac/dc
uma das formas de saber se você já passou da primeira juventude é se auto-indagar da seguinte maneira:
se uma amiga de infância me dá a notícia de que está grávida, eu pensaria duas vezes antes de dizer, "caralho, que merda!"?
se a resposta for "nunca. gravidez é o fim do mundo", parabéns, você ainda é brotinho.
se a resposta for apenas "sim", você tem quase 25.
se você não só pensa duas vezes, como opta por sonegar o "que merda", satisfazendo-se com a expressão "caralho" e esperando a reação da amiga gestante para concluir a frase com um possível "caralho, que maneiro", você já passou dos 25.
agora, se a resposta for imediatamente, "nossa, que bacana, parabéns"... o que você precisa é me mandar um email com o endereço do seu templo. porque eu vou lá.
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quarta-feira, 28 de novembro de 2007
lai k roli x tone
domingo, 11 de novembro de 2007
viola no sacro
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há exatos 34 dias cheguei à europa. duas semanas depois de ter decidido que vinha. marquei a passagem de volta para o dia 15/11, partindo de frankfurt, porque a varig não voaria de outro lugar.
como é óbvio, trouxe junto com os meus 58 kg (pelo menos a última vez que subi na balança deu isso) de problema fisiológico a ser tratado, mais 44 kg de bagagem tradicional, contendo muita roupa de frio. eu usei a expressão "como é óbvio" não só pela minha conhecida incapacidade de síntese ao fazer uma mala mas também pelo fato de acreditar que ficaria muito mais tempo aqui.
hoje é dia 11/11 e eu me sinto um objeto fora de radar. como se, para ter a permissão de "ser" em qualquer outro lugar, tivesse antes que cumprir uma tarefa na minha base. se não fizer o que tenho para fazer aí, a maldição é vagar feito um fantasma pelo resto do mundo, sem dar crédito aos meus movimentos.
portanto intuo que as previsões de calendário serão cumpridas à risca, o que me deixa com uma questão existencial enorme: serei eu, afinal de contas, uma pragmática irremediável disfarçada sob o cintilante manto da indisciplina?
volto para casa de sacro entre as pernas, algo derrotada e muito previsível.
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sexta-feira, 9 de novembro de 2007
desamarra o tchan
doutor jon'o, o osteopata que constitui em pessoa o motivo de eu ainda estar em londres, após constatar meu rigor mortis, saiu-me hoje com esta:
- ana, you DO should try having some sex and a couple of drinks.
...
ouvir isso de um autêntico bretão, fruto de um povo conhecido mundialmente como ortodoxo e austero é, no mínimo, curioso, para não dizer muito pouco lisonjeiro à minha brasilidade.
em tempos de aldeia global, lutar pela manutenção do sotaque foi o que me restou.
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quinta-feira, 8 de novembro de 2007
1984
depois da história do alarme de incêndio que, aliás, já aconteceu ontem às seis da manhã, de novo, me saem com outra novidade. já é a segunda vez que chego à residência e minha internet não está funcionando. pois muito bem, resolvi o problema da primeira vez (segunda-feira) e hoje (quinta-feira) me acontece a mesma coisa.
desci, então, ao 2nd floor, onde fica a sala do philip, o internet manager. e creio que hoje o philip, sujeito muito educado, resolveu ser sincero comigo, contar toda a verdade da qual, certamente, havia me poupado da última vez que estive lá.
acontece, ana, que você foi pegada no file sharing do itunes, me disse o philip em outras palavras mais dóceis. eu, imediatamente, retruquei no meu melhor inglês, alegando meu desconhecimento total sobre a configuração daquilo e talicoisa. fiz-me de encabulada vítima da tecnologia, e pronto.
desconfigurado o compartilhamento do itunes, philip me olhou nos olhos, de maneira compreensiva e solidária, e me perguntou suavemente: are there any other programs that you might like to erase, ana? neste momento eu retirei a máscara e confessei tudo! disse que sim! sim, eu passei a tarde inteira baixando um cd do joy division no amule, philip. e agora, o que mais tenho que entregar? vocês, desgraçados, será que têm alguma forma de autopunição e redenção that you migth like to teach me... philip?
há muita coisa no primeiro mundo. privacidade não há. no cigarettes, no file sharing, no alcohol inside the buildig. eles rastreiam o endereço de ip e jogam tudo na cara da gente.
hi, philip. how are you? please leave me a comment. =)
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sábado, 3 de novembro de 2007
sábado, 27 de outubro de 2007
quinta-feira, 25 de outubro de 2007
força, britney!
não tem aqueles dias em que você acorda de um sonho muito ruim,
onde teve uma hecatombe, todo mundo morreu e só sobraram você e as baratas?
de repente você acorda feliz da vida porque está na sua casa,
mas aí não tem mais casa em lugar nenhum;
parece que você voltou do país de oz e não agüenta mais o kansas, nem o totó.
aliás, nem existe o totó.
a ausência da bruxa má do leste (e do oeste) que você mesmo pagou
pro terapeura matar, tá te matando.
aqueles sapatinhos vermelhos brilhantes não combinam com o seu novo guarda-roupa,
porque você já é uma senhora que ganhou peso e perdeu anos de paciência em cada tijolo
da estrada das pedras amarelas;
e agora que a casa caiu, te deixaram com umas peças de lego, sem a base verde, retangular, pra você se virar e montar outra.
nisso você já enlouqueceu, porque não sabe mais o que fazer com a liza minelli, que está indo pelo mesmo caminho que você?
pois é, acho que a judy garland se sentia assim.
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domingo, 21 de outubro de 2007
betti smith
eu sei que o mote deste blog é "no pictures", mas acho que vídeo tá valendo.
com vocês, no shepherd's bush empire:
pattitia smith!
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sexta-feira, 19 de outubro de 2007
epitáfio
são 10h52 aqui na propriedade de elisabeth, e acabo de viver um happening ao qual só posso tratar por situação primeiro mundista.
estava acabando de escrever o post anterior, quando soa um barulho, que, do alto das minhas únicas e sofríveis 4 horas de sono, considerei nada mais que enjoadíssimo, deselegante e inconveniente. fui processando a informação enquanto vestia um longo casaco por cima do pijama, primeiro no intuito de ir à recepção me revelar deveras chateada com aquilo que ocorrera no quarto.
na segunda manga do casaco, porém, meu cérebro já compreendia que aquela sirene tratava-se, naturalmente, de um alarme de incêndio. em posse dessa informação, considerei agarrar-me aos meus pertences mais acessíveis e correr em desespero. todavia, recapitulei. terminei de escrever o post e desci as escadas de incêndio bastante contrariada. percebi que tinha feito bem em não carregar as malas para baixo e nem exagerar na expressão de afobação, pois meus companheiros de prédio, de fire stairs e de drama pareciam demasiado tranqüilos, embora mal dispostos e bem menos agasalhados do que eu.
fui correta, colocada, não envergonhei o pará. segundos depois de atravessar a rua e colocar-me em serena expectativa, chegaram uns bombeiros calmos, bem remunerados, num carro que parecia um brinquedinho: vermelhinho, ele. bateram um papo com as gurias da portaria, que explicaram que o tal alarme, provavelmente, teria sido ativado por algum pobre coitado que resolvera dar a sua primeira tragada de nicotina do dia antes de acordar, e esquecera da intransigência dos detectores de fumaça (que aqui estão espalhados por toda a parte e desconfiam severamente até mesmo de uma eventual flatulência exagerada).
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a única preocupação minha, depois de instalada em segurança lá embaixo, foi imaginar por que um possível último ato de vida meu teria sido terminar e publicar o post anterior. isso me fez refletir um pouco sobre a intensidade das tintas com as quais carrego meu sarcasmo. não fiquei nada tranqüila em ter minha biografia fechada com as palavras "valeu, geraldo vandré". só isso me roubaria anos de evolução espiritual, pois muito mais provável do que subir direto ou reencarnar numa vaca indiana seria a minha escolha em exercer a função de um espírito de porco dos piores.
e tudo, sempre, por conta dessa inconformação toda. que não sai daqui, ó!
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caminhando e cantando
quanto do condicionamento emocional do nosso século e do século passado é fruto da música popular? jazz, blues, bossa-nova, mpb...! continuarei insistindo, continuo impressionada com as ordens que uma pessoa escuta a vida inteira. tenho cá pra mim, eu que não sou boba nem nada, que há um lobby de psicólogos e psiquiatras disseminando esse tipo de informação, de maneira que as portas de seus consultórios jamais cerrarão e a indústria farmacêutica de inibidores da recaptação de serotonina e similares seguirá encabeçando o domínio do mal:
"Id rather be lonely than happy with somebody else"
enquanto, no ano de 1928, inaugurava-se no rio de janeiro a escola de samba estação primeira de mangueira, havia nos estados unidos da américa, salvo engano, uma dupla que, inconscientemente (?!), tomava sem medo a sua parcela de responsabilidade na criação e retroalimentação das neuroses de gerações atuais e futuras. walter donaldson e gus kahn, compositores de "love me or leave me", carregam hoje em seus túmulos o peso pelo endosso do masoquismo humano levado às últimas conseqüências.
a partir de agora, só ouço canções de protesto: sabiá é o cacete; valeu, geraldo vandré!
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uma realidade
mas também a europa me tem revelado uma face mais sombria, misteriosa e em código morse. senti muitas coisas nesta viagem para dentro de mim, mas a maior mágoa que trago do sul é o fato de ter minha bunda como uma desconhecida. foi necessária a calefação europeia e um espelho íntegro pra me revelar em abundância - mil perdões - aquele que para a cabrocha tropical é um intocável tabu: a maldição da casca da laranja grossa no derrière.
está difícil. é verdade. estou bebendo 'lancôme slim success lipolyzer', mas ainda não aconteceu o milagre, embora eu ainda tenha esperanças de tornar-me estatística de sucesso desta empresa na qual confio, considero séria e que vai me ajudar.
alegria com o meu corpo, por enquanto, só o sovaco, mesmo.
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power to the people!
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coiffeure
once em londres, tenho pena de que o meu Liandro não esteja aqui para ver a honesta cabeleira que estou cultivando, robusta, embaixo do braço. sei lá, tô deixando o inverno europeu se infiltrar de dentro para fora. 'levante a mão, entre no clima', 'levante a mão passando energia'. são tantas as chansons que me vem à cabeça em elogio a este momento tão especial.
essa conquista é nossa, meu pequeli! me dá um abraço!
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quinta-feira, 18 de outubro de 2007
isso e muito mais você só vai encontrar no pará
olha, bonita, o negócio agora aqui no blog é auto-exposição ULTIMATE.
meu castelo de baralho vai se desmanchar no borralho da sargeta.*
refinou, levanta da mesa.
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*dona de castelo [waly & jards]
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quarta-feira, 17 de outubro de 2007
nina simonal
como diz o outro, "ah, eu não douro pílula" de ninguém. aliás, já bem me bastam as minhas, que eu sei o quanto custam para me grelhar o estômago.
de qualquer maneira, aviso logo, pelassacarei. pelassacarei em pequenas notas porque ainda não estou pronta para escrever uma tese sobre ele, sobre ela.
falo sobre o álbum 'little girl blue', sobre a danada da nina simone.
não-me-INTERESSA, que fique bem claro, se o meu imaginário leitor está pensando: "poxa, mas como assim você não conhecia?! esse disco é fooooda, mas, tipo, desde os nooove anos que eu não escuto, porque enjoei de tanto rodar o vinil original de 1958 na vitrola de papai".
foda-se se você tá pensando isso. meu pai é ausente, minha mãe, quando eu tinha nove anos tava, provavelmente, curtindo o sucesso do "rala o pinto", que ela tinha trazido de arraial d'ajuda, na bahia, uns 3 anos antes do axé estourar no sudeste. 'o canto da cidade sou eu, o canto dessa cidade é meu', da daniela, tava na mesma fita. então não fode comigo.
e não penseis vós que, de maneira alguma, desprezo estas qualidades em papai e mamãe. nada mais elegante do que a incondicional liberdade que papai dava à mamãe para tratar dos assuntos tangentes à minha educação (bem como a todos os outros, diga-se); e, menos ainda posso argumentar contra a atenciosa tentativa de mamãe em me erguer do mundo dos mortos, tendo a delicadeza de trazer consigo e até mim o carnaval da bahia condensado em k7. tivera ela êxito, não estaria eu agora, quase vinte anos depois, on legal drugs e com imensa dificuldade em, como direi?, 'ralar a tcheca' e praticar o 'coqueirinho'. bem intencionado papai! espirituosa mamãe!
mas voltando aos pequenos apontamentos sobre nina e seu debut:
nina em litte girl blue é nana em mudança dos ventos. mas, mais do que isso, nina é roberto, o rei carlos du brésil. os dois botam muito coração no negócio, tornando impossível a gente acreditar em outra palavra de ordem que não seja aquela. 'you ain't been blue/ till you've had that mood indigo’. e aí lascou. ela aponta do dedo na tua cara e diz que você só ficou triste de verdade se foi nessas condições. e se ela diz isso tão incisivamente, quem vai ser cabra macho pra desmentir?
“Sit there and count the raindrops
Falling on you
It's time you knew
All you can ever count on
Are the raindrops
That fall on little girl blue”
se o teu tempo já passou, vovó, não resta outra alternativa possível a não ser botar o rabinho entre as pernas, sentar lá e ‘count your little fingers/ unhappy little girl blue’. quer dizer, nos mandaram tirar nosso cavalinho da bacia de água gelada do início o século XIX e colocá-lo diretamente na chuva. nos libertaram da tuberculose, mas se tu bobéier, ainda sai todo molhado. e aí, pelo menos uma gripe, mais cedo ou mais tarde, tu vai arrumar.
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olha, ‘o verve remixed 3’ tem uma versão desta música (little girl blue) que é de uma sensibilidade comovente, hein! dj zé pedro é buarque de holanda perto daquilo.
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e falando em revisita, rc, jovem guarda etc., mal posso esperar para que minha versão de "my baby just cares for me" fique pronta. chamar-se-á "meu preto só quer comigo" e entregá-la-ei diretamente nas mãos de joelma, da banda calipso. isso na guitarra de ximbinha será su-su-su-su-su-su-cesso!
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mudança suptil
Ah, vem cá, meu menino
Pinta e borda comigo
Me revista, me excita
Me deixa mais bonita
...
Me tira essa canseira
Me tira essas olheiras
...
Me tira essa vergonha
Me mostre, me exponha
Me tire uns 20 anos
...
AI, FAZ ALGUMA COISA, PORRA!
(ainda tenho esperança de, a qualquer momento, dar um play na canção e ouvir a nana caymmi soltar essa.)
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segunda-feira, 10 de setembro de 2007
antônio
"antônio, você é um cara legal, um cara inteligente, um cara bonito. deixa eles pra lá."
essa frase eu ouvi atrás de mim, quando saía do parque lage, dita por uma voz feminina adulta. não resisti e me virei para ver de quem falavam, afinal de contas, ao passar antes por ali, só tinha notado duas mulheres sentadas na mureta.
aí vi antônio. não tinha mais do que seis, cinco anos de idade. cabelinho de índio, magrinho e ágil. naquela hora, se contorcia como se cortorcem as crianças frustradas e inconformadas. alguns metros mais para o lado, outros dois garotinhos - cúmplices - brincavam com um gato, divertidos.
não sei, mas depois de todos esses anos de psicanálise, terapia e - por que não dizer - depois de todos esses anos, simplesmente, se estivesse eu encarregada da educação daquela criança, creio que meu conselho teria sido outro. de uma forma compreensiva, suave e segura, diria:
"antônio, vai lá e desce o cacete!"
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sábado, 8 de setembro de 2007
amiga,
e se não te interessa viver nenhum dos sentidos, a menos que comunicá-los ao mundo, de alguma forma, seja indispensável, e você não tem energia nem pra começar?
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