domingo, 21 de março de 2010

manifesto



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wilson: why would it make more sense for you to read your father's book than to go talk with him?

house: can you write a book? so I could just stop talking to you.

[house m.d. . s06e14]

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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

esperança

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aguardo ansiosa o convite para uma rede anti-social.

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sábado, 30 de janeiro de 2010

trama



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depois de muito enredo, tenho apenas um comentário a fazer:

só sabe dos bastidores quem faz parte do elenco...

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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

expertise

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sôdona laurie anderson:
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Only An Expert

Now only an expert can deal with the problem
Because half the problem is seeing the problem
And only an expert can deal with the problem
Only an expert can deal with the problem

So if there’s no expert dealing with the problem
It’s really actually twice the problem
Cause only an expert can deal with the problem
Only an expert can deal with the problem

Now in America we like solutions
We like solutions to problems
And there’s so many companies that offer solutions
Companies with names like Pet Solution
The Hair Solution. The Debt Solution. The World Solution. The Sushi Solution.
Companies with experts ready to solve the problems.
Cause only an expert can see there’s a problem
And only an expert can deal with the problem
Only and expert can deal with the problem

Now let’s say you’re invited to be on Oprah
And you don’t have a problem
But you want to go on the show, so you need a problem
So you invent a problem
But if you’re not an expert in problems
You’re probably not going to invent a very plausible problem
And so you’re probably going to get nailed
You’re going to get exposed
You’re going to have to bow down and apologize
And beg for the public’s forgiveness.
Cause only an expert can see there’s a problem
And only an expert can deal with the problem
Only an expert can deal with the problem

Now on these shows, the shows that try to solve your problems
The big question is always “How can I get control?
How can I take control?”
But don’t forget this is a question for the regular viewer
The person who’s barely getting by.
The person who’s watching shows about people with problems
The person who’s part of the 60% of the U.S. population
1.3 weeks away, 1.3 pay checks away from homelessness.
In other words, a person with problems.
So when experts say, “Let’s get to the root of the problem
Let’s take control of the problem
So if you take control of the problem you can solve the problem.”
Now often this doesn’t work at all because the situation is completely out of control.
Cause only an expert can deal with the problem
Only an expert can deal with the problem
Only an expert can deal with the problem

So who are these experts?
Experts are usually self-appointed people or elected officials
Or people skilled in sales techniques, trained or self-taught
To focus on things that might be identified as problems.
Now sometimes these things are not actually problems.
But the expert is someone who studies the problem
And tries to solve the problem.
The expert is someone who carries malpractice insurance.
Because often the solution becomes the problem.
Cause only an expert can deal with the problem
Only an expert can deal with the problem
Only an expert can deal with the problem

Now sometimes experts look for weapons.
And sometimes they look everywhere for weapons.
And sometimes when they don’t find any weapons
Sometimes other experts say, “If you haven’t found any weapons
It doesn’t mean there are no weapons.”
And other experts looking for weapons find things like cleaning fluids.
And refrigerator rods. And small magnets. And they say,
“These things may look like common objects to you
But in our opinion, they could be weapons.
Or they could be used to make weapons.
Or they could be used to ship weapons.
Or to store weapons.”
Cause only an expert can see they might be weapons
And only an expert can see they might be problems.
Cause only an expert can deal with the problem
Only an expert can deal with the problem
Only an expert can deal with the problem

And sometimes, if it’s really really really hot.
And it’s July in January.
And there’s no more snow and huge waves are wiping out cities.
And hurricanes are everywhere.
And everyone knows it’s a problem.
But if some of the experts say it’s no problem
And other experts claim it’s no problem
Or explain why it’s no problem
Then it’s simply not a problem.
But when an expert says it’s a problem
And makes a movie and wins an Oscar about the problem
Then all the other experts have to agree that it is most likely a problem.
Cause only an expert can deal with the problem
Only an expert can deal with the problem
Only an expert can deal with the problem

And even though a county can invade another country.
And flatten it. And ruin it. And create havoc and civil war in that other country
If the experts say that it’s not a problem
And everyone agrees that they’re experts good at seeing problems
Then invading that country is simply not a problem.
And if a country tortures people
And holds citizens without cause or trial and sets up military tribunals
This is also not a problem.
Unless there’s an expert who says it’s the beginning of a problem.
Cause only an expert can deal with the problem
Only an expert can deal with the problem
Only an expert can deal with the problem

Only an expert can see there’s a problem
And see the problem is half the problem
And only an expert can deal with the problem
Only an expert can deal with the problem

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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

ponto cruz

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Mais umas férias com as tias-avós, quase trinta anos de idade, alguns cabelos brancos já evidentes. Abaixo, o relato da enésima tentativa frustrada de sair de casa sozinha:

- Tia Iracema, a minha idéia era ir ao cinema à tarde, voltar pra casa ainda sob a luz do sol que nos protege...

- Não, Caroline.

- …

- A rua está perigosa, hoje é domingo, não tem ninguém no cinema.

- Como isso é possível? Aqui em Belém não tem mais nada pra se fazer!

- Tem sim!

- O quê?

- Costurar.

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Praticamente um koan Zen.

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quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

verão

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cigarra
cigarro
cigarra
cigarro
cigarra
cigarro

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quinta-feira, 30 de julho de 2009

humor matinal

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mais uma madruga desenganada na qual nada acontece para além da batida apnéica do ar condicionado - com afrontamentos - da vizinha, que faz um BUM de prosdócimo velho quando desarma. nenhuma emoção, nenhuma sorte, nenhuma culpa.

foi o caso de levantar da cama e vir a público lançar uma questão: seu chet baker, já passa de 3h30, seria o caso de eu tomar um rivothrill?

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quinta-feira, 2 de abril de 2009

longe-perto

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não quero ir para o mar, não quero ir para o alto, não quero ir para buenos aires. não tenho paciência, não gosto de nada. gosto da glenn close, mas não vendem passagem para lá.

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quarta-feira, 25 de março de 2009

vai que cola

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vamo pro alaska... se laskar?

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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

sugestão

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querendo saber de mim, pergunte a quem nunca me viu.
aqueles que me conhecem já foram despistados.

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sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

dancing queen

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"se eu fosse na vida o que sou no palco, já estaria morta"
(maria bethânia)

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olha, esta noite sonhei que minha mãe era a maria bethânia. quero dizer, minha mãe, sandra lúcia, tchutchucona, loiraça belzebu, viúva mais ardorosa da loja gang, quando pisava no palco se metamorfoseava em maria bethânia.

aí eu dizia: poxa, mãe, a arte é mesmo transformadora! você vira outra pessoa quando está em cena. a platéia tava toda nas suas mãos, em delírio coletivo!

e ela respondia: carol, esse é só o meu trabalho. eu gosto mesmo é de disco music.

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sabedoria de mãe.

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terça-feira, 18 de novembro de 2008

nana me engana

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das mentiras da mpb:

"se um dia você for embora
não pense em mim
que eu não te quero meu
eu te quero seu..."

[meu menino . danilo caymmi e ana terra]

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das verdades da mpb:

"...com tempo ruim
todo mundo também dá bom dia"

[palavras . gonzaguinha]

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sexta-feira, 13 de junho de 2008

para eles

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só tem noção de distância quem entende da geometria de partilhar intimamente os momentos bons e os momentos difíceis. eu moro sob o mesmo teto de duas pessoas que vivem muito perto de mim.

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carta que eu deixei na porta da geladeira hoje:

caros amigos de fé, irmãos camaradas,

esta tarde, logo após acordar de minha inexorável terceira visita ao hospital, estive em frente ao vosso refrigerador e vi-me obrigada a furtar alguns de vossos artigos de gênero alimentício (al-alimentos). foram várias bolas de nhoque, quatro ou cinco pacotinhos recheados, um resto de molho de tomate, os últimos goles de um fortúito del valle encontrado na porta do eletrodoméstico (cuja embalagem, neste momento, jaz na superfície de nossa lixeira) e, por fim, desirmanei uma fina fatia de mozzarela de sua ainda mais franzina acompanhante, deixada ardilosamete para trás.

peço imensas desculpas e insisto que o pequê-Li se utilize da minguada quantia monetária oferecida ontem, por mim, para cobrir estes indelicados desfalques. sei que o abalo psicológico provocado por estas atitudes é bem mais dispendioso de ser coberto, porém, para tanto, podeis contar com todo o amor e respeito de vossa entrevada companheira de estrada e de vida.

com atencioso carinho,
da carulina

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eu sei que andei espalhando amor por aí. e tenho certeza que estou recebendo muito mais do que esperava agora. obrigada.


em 12.01.2007


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para elas

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para vozinha, dindinha, tia iracema, bibi, bitiz e vó arminda.

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há quem não entenda meu gosto por mulheres mais velhas, acontece que eu só acredito nelas.
e só a elas consigo proteger do mundo mau com as minhas gracinhas.

faço isso me aproveitando inescrupulosamente dos seus olhares embotados de fascínio, enganados pela minha habilidade na representação de inocência.

desta forma, planejo, certeira e artificiosa, cada gesto encantador para retribuir, agradecida, o conforto do qual elas se despojaram para abraçar a dor de amar uma pessoa nova.

especializei-me em criancices para distraí-las e, no meio da confusão, ir renovando, advertidamente, o pacto familiar que faz da dor de cada uma delas a minha própria dor.
até o fim dos nossos dias juntas.
das nossas fotos juntas.
da nossa história antepassada e futura.
juntas.

e, servindo-me de ludibriosa perfeição, calculada imperfeição e incontestável devoção, despedirei-me das mulheres de minha vida, uma a uma, arrumando-lhes as flores e esperando ter-lhes trazido alguma alegria.

em 03.05.2007

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sábado, 3 de maio de 2008

sem

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ah, então a diferença é que antes eu não vivia, mas acreditava.
quando resolvi tentar, parei.

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quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

ac/dc

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uma das formas de saber se você já passou da primeira juventude é se auto-indagar da seguinte maneira:

se uma amiga de infância me dá a notícia de que está grávida, eu pensaria duas vezes antes de dizer, "caralho, que merda!"?

se a resposta for "nunca. gravidez é o fim do mundo", parabéns, você ainda é brotinho.

se a resposta for apenas "sim", você tem quase 25.

se você não só pensa duas vezes, como opta por sonegar o "que merda", satisfazendo-se com a expressão "caralho" e esperando a reação da amiga gestante para concluir a frase com um possível "caralho, que maneiro", você já passou dos 25.

agora, se a resposta for imediatamente, "nossa, que bacana, parabéns"... o que você precisa é me mandar um email com o endereço do seu templo. porque eu vou lá.

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quarta-feira, 28 de novembro de 2007

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dezembro é um domingo de 31 dias.

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eu não acredito na irreverência de roqueiro vivo.

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lai k roli x tone




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não sou groupie, não incenso seus olhos azuis, a maior parte da obra dele eu só conheço pelos outros. mas passo a palavra ao homem. conta pra gente, seu bóbi díla: "how does it feel?"

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é favor clicar em cima da imagem. há dizeres.

[cena roubada do documentário "no direction home . bob dylan"]

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domingo, 11 de novembro de 2007

viola no sacro

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há exatos 34 dias cheguei à europa. duas semanas depois de ter decidido que vinha. marquei a passagem de volta para o dia 15/11, partindo de frankfurt, porque a varig não voaria de outro lugar.

como é óbvio, trouxe junto com os meus 58 kg (pelo menos a última vez que subi na balança deu isso) de problema fisiológico a ser tratado, mais 44 kg de bagagem tradicional, contendo muita roupa de frio. eu usei a expressão "como é óbvio" não só pela minha conhecida incapacidade de síntese ao fazer uma mala mas também pelo fato de acreditar que ficaria muito mais tempo aqui.

hoje é dia 11/11 e eu me sinto um objeto fora de radar. como se, para ter a permissão de "ser" em qualquer outro lugar, tivesse antes que cumprir uma tarefa na minha base. se não fizer o que tenho para fazer aí, a maldição é vagar feito um fantasma pelo resto do mundo, sem dar crédito aos meus movimentos.

portanto intuo que as previsões de calendário serão cumpridas à risca, o que me deixa com uma questão existencial enorme: serei eu, afinal de contas, uma pragmática irremediável disfarçada sob o cintilante manto da indisciplina?

volto para casa de sacro entre as pernas, algo derrotada e muito previsível.

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sexta-feira, 9 de novembro de 2007

desamarra o tchan

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doutor jon'o, o osteopata que constitui em pessoa o motivo de eu ainda estar em londres, após constatar meu rigor mortis, saiu-me hoje com esta:

- ana, you DO should try having some sex and a couple of drinks.

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ouvir isso de um autêntico bretão, fruto de um povo conhecido mundialmente como ortodoxo e austero é, no mínimo, curioso, para não dizer muito pouco lisonjeiro à minha brasilidade.

em tempos de aldeia global, lutar pela manutenção do sotaque foi o que me restou.

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quinta-feira, 8 de novembro de 2007

1984

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depois da história do alarme de incêndio que, aliás, já aconteceu ontem às seis da manhã, de novo, me saem com outra novidade. já é a segunda vez que chego à residência e minha internet não está funcionando. pois muito bem, resolvi o problema da primeira vez (segunda-feira) e hoje (quinta-feira) me acontece a mesma coisa.

desci, então, ao 2nd floor, onde fica a sala do philip, o internet manager. e creio que hoje o philip, sujeito muito educado, resolveu ser sincero comigo, contar toda a verdade da qual, certamente, havia me poupado da última vez que estive lá.

acontece, ana, que você foi pegada no file sharing do itunes, me disse o philip em outras palavras mais dóceis. eu, imediatamente, retruquei no meu melhor inglês, alegando meu desconhecimento total sobre a configuração daquilo e talicoisa. fiz-me de encabulada vítima da tecnologia, e pronto.

desconfigurado o compartilhamento do itunes, philip me olhou nos olhos, de maneira compreensiva e solidária, e me perguntou suavemente: are there any other programs that you might like to erase, ana? neste momento eu retirei a máscara e confessei tudo! disse que sim! sim, eu passei a tarde inteira baixando um cd do joy division no amule, philip. e agora, o que mais tenho que entregar? vocês, desgraçados, será que têm alguma forma de autopunição e redenção that you migth like to teach me... philip?

há muita coisa no primeiro mundo. privacidade não há. no cigarettes, no file sharing, no alcohol inside the buildig. eles rastreiam o endereço de ip e jogam tudo na cara da gente.

hi, philip. how are you? please leave me a comment. =)

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sábado, 3 de novembro de 2007

luisa c.

tricia, afinal, é meio-lisboeta.

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vídeo de angelomiguel

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sábado, 27 de outubro de 2007

bloomsburry

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com vocês, no palco do canecão, virginia wolf:



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quinta-feira, 25 de outubro de 2007

força, britney!

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não tem aqueles dias em que você acorda de um sonho muito ruim,

onde teve uma hecatombe, todo mundo morreu e só sobraram você e as baratas?

de repente você acorda feliz da vida porque está na sua casa,

mas aí não tem mais casa em lugar nenhum;

parece que você voltou do país de oz e não agüenta mais o kansas, nem o totó.

aliás, nem existe o totó.

a ausência da bruxa má do leste (e do oeste) que você mesmo pagou
pro terapeura matar, tá te matando.

aqueles sapatinhos vermelhos brilhantes não combinam com o seu novo guarda-roupa,

porque você já é uma senhora que ganhou peso e perdeu anos de paciência em cada tijolo
da estrada das pedras amarelas;

e agora que a casa caiu, te deixaram com umas peças de lego, sem a base verde, retangular, pra você se virar e montar outra.

nisso você já enlouqueceu, porque não sabe mais o que fazer com a liza minelli, que está indo pelo mesmo caminho que você?

pois é, acho que a judy garland se sentia assim.

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domingo, 21 de outubro de 2007

betti smith

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eu sei que o mote deste blog é "no pictures", mas acho que vídeo tá valendo.



com vocês, no shepherd's bush empire:

pattitia smith!



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sexta-feira, 19 de outubro de 2007

epitáfio

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são 10h52 aqui na propriedade de elisabeth, e acabo de viver um happening ao qual só posso tratar por situação primeiro mundista.

estava acabando de escrever o post anterior, quando soa um barulho, que, do alto das minhas únicas e sofríveis 4 horas de sono, considerei nada mais que enjoadíssimo, deselegante e inconveniente. fui processando a informação enquanto vestia um longo casaco por cima do pijama, primeiro no intuito de ir à recepção me revelar deveras chateada com aquilo que ocorrera no quarto.

na segunda manga do casaco, porém, meu cérebro já compreendia que aquela sirene tratava-se, naturalmente, de um alarme de incêndio. em posse dessa informação, considerei agarrar-me aos meus pertences mais acessíveis e correr em desespero. todavia, recapitulei. terminei de escrever o post e desci as escadas de incêndio bastante contrariada. percebi que tinha feito bem em não carregar as malas para baixo e nem exagerar na expressão de afobação, pois meus companheiros de prédio, de fire stairs e de drama pareciam demasiado tranqüilos, embora mal dispostos e bem menos agasalhados do que eu.

fui correta, colocada, não envergonhei o pará. segundos depois de atravessar a rua e colocar-me em serena expectativa, chegaram uns bombeiros calmos, bem remunerados, num carro que parecia um brinquedinho: vermelhinho, ele. bateram um papo com as gurias da portaria, que explicaram que o tal alarme, provavelmente, teria sido ativado por algum pobre coitado que resolvera dar a sua primeira tragada de nicotina do dia antes de acordar, e esquecera da intransigência dos detectores de fumaça (que aqui estão espalhados por toda a parte e desconfiam severamente até mesmo de uma eventual flatulência exagerada).

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a única preocupação minha, depois de instalada em segurança lá embaixo, foi imaginar por que um possível último ato de vida meu teria sido terminar e publicar o post anterior. isso me fez refletir um pouco sobre a intensidade das tintas com as quais carrego meu sarcasmo. não fiquei nada tranqüila em ter minha biografia fechada com as palavras "valeu, geraldo vandré". só isso me roubaria anos de evolução espiritual, pois muito mais provável do que subir direto ou reencarnar numa vaca indiana seria a minha escolha em exercer a função de um espírito de porco dos piores.

e tudo, sempre, por conta dessa inconformação toda. que não sai daqui, ó!

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caminhando e cantando

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quanto do condicionamento emocional do nosso século e do século passado é fruto da música popular? jazz, blues, bossa-nova, mpb...! continuarei insistindo, continuo impressionada com as ordens que uma pessoa escuta a vida inteira. tenho cá pra mim, eu que não sou boba nem nada, que há um lobby de psicólogos e psiquiatras disseminando esse tipo de informação, de maneira que as portas de seus consultórios jamais cerrarão e a indústria farmacêutica de inibidores da recaptação de serotonina e similares seguirá encabeçando o domínio do mal:

"Id rather be lonely than happy with somebody else"

enquanto, no ano de 1928, inaugurava-se no rio de janeiro a escola de samba estação primeira de mangueira, havia nos estados unidos da américa, salvo engano, uma dupla que, inconscientemente (?!), tomava sem medo a sua parcela de responsabilidade na criação e retroalimentação das neuroses de gerações atuais e futuras. walter donaldson e gus kahn, compositores de "love me or leave me", carregam hoje em seus túmulos o peso pelo endosso do masoquismo humano levado às últimas conseqüências.

a partir de agora, só ouço canções de protesto: sabiá é o cacete; valeu, geraldo vandré!

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uma realidade

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mas também a europa me tem revelado uma face mais sombria, misteriosa e em código morse. senti muitas coisas nesta viagem para dentro de mim, mas a maior mágoa que trago do sul é o fato de ter minha bunda como uma desconhecida. foi necessária a calefação europeia e um espelho íntegro pra me revelar em abundância - mil perdões - aquele que para a cabrocha tropical é um intocável tabu: a maldição da casca da laranja grossa no derrière.

está difícil. é verdade. estou bebendo 'lancôme slim success lipolyzer', mas ainda não aconteceu o milagre, embora eu ainda tenha esperanças de tornar-me estatística de sucesso desta empresa na qual confio, considero séria e que vai me ajudar.


alegria com o meu corpo, por enquanto, só o sovaco, mesmo.

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power to the people!

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coiffeure

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once em londres, tenho pena de que o meu Liandro não esteja aqui para ver a honesta cabeleira que estou cultivando, robusta, embaixo do braço. sei lá, tô deixando o inverno europeu se infiltrar de dentro para fora. 'levante a mão, entre no clima', 'levante a mão passando energia'. são tantas as chansons que me vem à cabeça em elogio a este momento tão especial.

essa conquista é nossa, meu pequeli! me dá um abraço!

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